“Esta é a história de Plum Village: como transmitir o olho do Buda, e não como construir uma grande instituição e ficar famoso.”
Thich Nhat Hanh, em "20 years of Plum Village"
Para quem vem participando dos retiros com os monges e monjas de Plum Village acontecidos nos últimos anos no Brasil, esta postagem é apenas um reforço e um lembrete...
No vídeo acima, Thich Nhat Hanh e membros da sangha monástica de Plum Village praticam alguns dos 10 Movimentos em Plena Consciência, que aparecem também nos esquemas ilustrativos abaixo, desenhados pelo noviço italiano, o muito querido Pháp Banh.
São exercícios leves que fazemos diariamente em Plum Village, durante a pausa na meditação caminhando, outras vezes logo após a sessão de meditação matinal e antes do início da palestra com o Thây (como já mostrado em mindfulness day - dia da plena consciência)
Lembre-se de sincronizar seus movimentos com a respiração -- movimentos de expansão ao inspirar, e movimentos de retração ao expirar --, ao fazer de três a cinco movimentos de cada série, sempre com atenção e concentração.
Você chegou, diz a placa à entrada do Upper Hamlet. Onde? Onde você está, sempre.
Durante os Retiros de Verão, uma vez por semana costumamos ter uma sessão de perguntas e respostas com o Thây. Os participantes -- começando pelas crianças, depois os jovens e enfim os adultos -- encaminham-se até junto do mestre, e ao microfone fazem uma pergunta, compartilhada com toda a Sangha.
Em 2008, lembro-me de uma menininha que sentou-se junto do Thây e perguntou-lhe se ele era casado. -- Não, eu não sou casado. -- Mas você tem filhos? -- ela perguntou. Thây pensou um instante, e com expressão divertida disse: -- Sim, eu tenho filhos e filhas. A menina surpreendeu-se. -- Quantos? Após uma breve pausa, Thây respondeu: -- Um milhão -- e lançou seu olhar doce sobre a platéia, que naquele Retiro de Verão costumava ser de mil pessoas por semana.
A menina exlamou Oh!, e mostrou-se verdadeiramente surpresa, olhando-o deslumbrada. E quando todos pensavam que ela se daria por satisfeita, surpreendeu a todos com uma nova pergunta -- normalmente, o costume é que cada participante faça uma única pergunta. -- E você sabe o nome de todos eles? Thây refletiu antes de responder algo como: -- Não de todos. Alguns estão mais próximos e eu convivo todos os dias. Desses eu sei o nome. Outros não ficam sempre perto de mim, mas mesmo assim de muitos deles eu sei o nome.
E havia mais por parte da menininha: -- E você tem casa para todos esses filhos? Thây olhou-a divertido. -- Acho que temos uma jovem repórter, aqui... -- e depois de um silêncio, complementou -- É, eu tenho uma casa para um milhão de filhos...
Não estou transcrevendo, mas sim citando de memória, então perdoem-me a inexatidão e a contaminação da minha própria percepção
Pareceu-me que Thây falava de Plum Village, aberta a praticantes de todo o mundo, como a casa para um milhão de filhos e filhas. Falava também de seu coração. Falava dos ensinamentos do Buda. Falava da própria sangha.
Cada Sangha do Thich Nhat Hanh é essa casa na qual ele é o pai espiritual. Se você pratica, e souber olhar ao redor e dentro de si mesmo, encontrará essa casa.
Esta postagem mostra fotos dessa casa, e não gostaria de legendar as imagens, como nas postagens anteriores. Desfrute da sua própria atenção, do seu olhar e da sua respiração -- aqui e agora.
E talvez você se dê conta -- Você chegou, você está em casa.
Beba seu chá, na bonita caligrafia do Thây, -- é uma das atividades preferidas durante os lazy days, que nos ajudam a fortalecer nossa irmandade, conhecer-nos melhor, e tranquilamente desfrutarmos da companhia preciosa uns dos outros, aprofundando nossa prática como sangha -- lembro-me de uma das cerimônia do chá (informal) desse período, capitaneada pelo meu generoso e querido amigo Arnold Novak dos EUA, no lendário quarto Starflower (onde Thay teria escrito Velho Caminho, Nuvens Brancas, e de onde sairam muitos laicos para tornarem-se monásticos ao longo dos anos, e por isso eu o apelidei "quarto incubadeira"), que contou com amigos laicos e monásticos revesando-se nas almofadas e no compartilhar, tendo durado bem mais de 12 horas
nos jardins esvaziados, depois da partida da multidão de participantes dos grandes retiros, muitos Budas sentam-se em pacífica contemplação em meio a grande silêncio...
Os lazy days seguem-se após os grandes retiros, quando os monastérios de Plum Village ficam fechados para novos hóspedes. Alguns monges partem em merecidas férias, para acampar nos Pirineus, e alguns ficam desfrutando dos amplos espaços do mosteiro... Como staff e junto com alguns colegas laicos, tive o privilégio de passar essa temporada dos lazy days em Plum Village, quando organizamos e limpamos e colocamos em ordem -- no meu caso, como Guest Master, isso significou uma inacreditável pilha de roupas de camas e toalhas remanescentes do Retiro de Verão para lavar e secar e dobrar, além de arrumar o Sótão do Stone Building... Um privilégio que gostaria de compartilhar neste blog, através desta seleção de fotos e de alguns poemas curtos que escrevi então (grande parte deles já publicados nos blogs paraserzen e zentobe)
Esta chávena que se acaba Plenamente saboreada não há porque chorar você
revoada verde entre colunas douradas (nasce o sol) vento no bosque
vento invade o bosque o mar invade os meus ouvidos
folhas caídas no bosque as árvores se cobrem de brotos
céu azul e folhas de tília imóveisna superfície do chá que o vento desfaz
na cozinha um monge e sua canção vietnamita Aqui estou e não sei onde...
meu passo brusco folhas fibrilando na brisa o pássaro piando estanco
um dos poucos momentos em que uma pequena multidão se forma durante os lazy days é nos horários das refeições...
lavar a louça em plena consciência, em silêncio e com vagar -- como se estivéssemos lavando o bebê Buda --, é parte da prática de Plum Village, e uma das que mais desperta calma e gratidão em mim
trabalhar calmamente durante os lazy days, trabalhar como quem descansa, trabalhar para energizar-se, desfrutando das tarefas, é uma das grandes alegrias desse período, em companhia dos irmãos laicos e monásticos
pingos na poça d'água do escorredor de pratos no salão amplo silencioso deserto
lua cheia clareia nuvens rolando pelo céu estrelado o sono a tudo refaz
prateleiras cheias meus irmãos de partida o balanço move-se na brisa monastério que se esvazia
no bambuzal invisível um passarinho pia um sambasecreto
caneta à mão o gato vem pedir-mecarícias que agora escrevo
tentando enxergar o teu rosto através do vidro eu vejo o meu
sand in my eyes I cry blinded as you go out of sight
um dos poucos ruídos que se ouve durante os lazy days vem da mesa de ping pong em pleno jardim do Upper Hamlet, que reúne monásticos e laicos na prática da alegria
da copa das árvores cai um rendilhado de folhas em luz e sombras sobre a renda das samambaias eu me rendo
winged petals flying over the lotus pond
petals drop thoughts and tears drift
Laundry anguish: I cannot wash off the suffering Our hearts
(A dirty linen I cannot wash your heart so I'll try mine)
A chuva chora por mim a sua partida
primeira lua cheia e eu quase corro a caminho de encontrá-la negligencio você e a perco
Estrelas cadentes aviões vagalumes tantas noites escuras sobre esta terra
A lua não sabe que é a lua. Silenciosa, flutua. Branca ou amarela nem sabe ser cheia. Nunca se esvazia. Sequer imagina ser bela. Então como pode? Tão bela a lua cheia!
nesta foto, o querido Pháp Don, o maravilhoso abade do Upper Hamlet, a quem gostaria de agradecer minha estadia durante os três meses do Verão, e pela prática da generosidade, da calma, do cuidado, da alegria, do silêncio... A todos os monásticos, o meu obrigado pela acolhida e pela permissão para permanecer, e meu amor ao Arnold, ao Mark, à Gabriela, à Atika, ao Kasper, ao John, ao Richard, que comigo criaram estes belos dias de irmandade...
É isso, na caligrafia do Thây, talvez a minha preferida das que em Plum Village temos como sinos da plena consciência, emolduradas e espalhadas por todos os lugares, quartos, salas, corredores, escadas -- para lembrar-nos de vivermos no momento presente, e retornarmos à nossa respiração. Foi a frase que escrevi num galho caído, e que eu mantinha à porta da minha tenda durante o Retiro de Verão. É a frase que tenho na floreira do meu quarto. É isso.
A bananeira, quando nova, tem somente duas folhas. Assim que a terceira folha aparece, as duas primeiras a alimentam. Estas respiraram o ar e absorveram os raios solares para que a terceira folha conseguisse abrir-se e crescer. Quando a quarta folha surge, a terceira já se juntou às duas primeiras para nutri-la. Esse processo continua até a bananeira se tornar adulta. Nesse momento, as primeiras folhas começam a murchar, mas a energia delas está acumulada em todas as folhas que cresceram depois. Se observarmos a fundo uma das folhas mais novas, veremos a presença das mais antigas e compreenderemos que estas últimas nunca desapareceram. Observando profundamente, veremos toda a energia dos nossos pais, avós e ancestrais. Se essa energia não estiver acumulada dentro de nós, para onde mais poderá ter ido?
[...] Temos que observar a fundo para ver os esforços das incontáveis gerações passadas. Nós estamos na Terra, respiramos, apreciamos árvores e flores. Ao fazermos isso, vemos também as gerações passadas. Não há como nos separar delas. Acreditarmos que estamos sós ou isolados é uma ilusão que causa muito sofrimento.
Se sofremos como a árvore de cujas raízes fomos cortados é porque perdemos o contato com nossa família e nossas correntes ancestrais. [...] Tudo de que precisamos para nos curar está dentro de nós. É ali que carregamos a vida, o sangue, a experiência, a sabedoria, a felicidade e a tristeza de todos os nossos antepassados. Desfrutamos da saúde e do vigor que eles tiveram. [...] Estabelecendo uma conexão com nossos ancestrais, liberamos grandes reservas de energia e somos capazes de ver seus sorrisos e estilos de vida simples e saudáveis. As qualidades deles também estão em nós, se soubermos como despertá-las.
Thich Nhat Hanh em Ensinamentos sobre o Amor
no encerramento do Retiro de Verão, as condições permitindo, após a última Palestra do Dharma o Thây nos conduz numa meditação caminhando até o pomar das ameixeiras do Lower Hamlet (na foto acima, e nas fotos seguintes, abaixo), onde cuidadosa e silenciosamente caminhamos entre as doadoras árvores, praticando a plena consciência...
uma parte da sangha talvez tenha podido realizar a impermanência acompanhando a manifestação das ameixeiras desde o seu não-começo sem-fim, quando depois do inverno brotam as primeiras pequenas folhas e inflorescências, que depois tornam-se os frutos que vamos colher com o Thây...
...quando com o Thây vamos cada qual colher o fruto da nossa prática, depois de termos praticado juntos durante todo o verão, cada qual contribuindo para o acontecimento do Retiro de Verão que reúne praticantes de mais de 50 países, como em 2009, cada qual contribuindo para o estabelecimento de uma sólida energia da plena consciência na sangha...
passeamos com o Thây por entre as árvores, e entre elas nos sentamos para meditar -- contemplando a impermanência e o não-objetivo, sobre o amor, sobre a gratidão, sobre a simplicidade, sobre a compaixão, na Natureza que é uma grande fonte de inspiração -- e então juntos colhemos e desfrutamos das ameixas, juntos colhemos e desfrutamos dos frutos da nossa prática
assim encerra-se mais um Retiro de Verão -- desarmam-se as tendas das pessoas que escolheram ficar acampadas e a multidão de praticantes volta a seus países e às suas casas, levando a prática aprendida e vivenciada...
os jardins esvaziam-se, e para a parte da Sangha que ficou para a "arrumação da casa", é tempo de desarmar as tendas montadas para acolher as dezenas de grupos de Compartilhar o Dharma...
os bosques -- como este no Lower Hamlet, a pagoda do sino entrevista ao fundo -- sem as tendas dos hóspedes de Verão, volta a ser refúgio de tranqüilidade para os pássaros e as caminhadas em silêncio e recolhimento...
mesmo os girassóis, cultivados nos campos ao redor de Plum Village, estão prontos para ser colhidos...
para quem ficou durante os lazy days, a colheita das ameixas tem uma segunda parte, do trabalho realmente, quando percorremos todo o pomar colhendo as frutas, que as Irmãs irão transformar nas deliciosas geléias orgânicas chamadas Plum Gems, que irão alegrar os nossos desjejuns ao longo do ano, e ficam à venda nas livrarias dos Hamlets de Plum Village
Quando transformamos nosso próprio sofrimento, quando realizamos nossos sonhos, acabamos com a dor e concretizamos os sonhos dos nossos ancestrais e descendentes. Nossa prática é realizada por todas as gerações passadas e futuras.
[...] Ao comermos uma deliciosa cenoura, temos que sentir que ela também é fruto do empenho de muitas gerações. Por trás de uma fatia de pão há uma história de milhares de anos. No Vietnã, quando comemos uma tigela de macarrão, temos consciência de que ela tem sua própria história. As mães não sabem automaticamente como temperar essa refeição. Esse conhecimento foi transmitido por muitas gerações. Todo bolo, todo prato possui sua própria história. A felicidade dos nossos ancestrais tornou-se nossa própria felicidade.
Durante a prática, vamos nos conectar a todos os nossos antepassados, bem como aos rios, montanhas, plantas e alimentos da nossa terra. O que somos senão a manifestação e continuação de todos esses elementos? [...] É claro que estamos prontos para abraçar o que é positivo, mas temos que aceitar também os aspectos negativos de nossa sociedade, como a violência, o ódio e o racismo, a fim de transformá-los. Devemos viver no sentido de contribuir para a mudança desses elementos.
Thich Nhat Hanh em Ensinamentos sobre o Amor
Não existe chegar nem partir, pois nós estamos sempre com você, e você está sempre conosco. Quando voltamos para casa e nos lembramos de nos voltar para a nossa respiração, sabemos que nossos amigos em Plum Village e em toda a Sangha ao redor do mundo estão respirando também. Quando quer desejemos, podemos tomar refúgio nas práticas da respiração consciente, do comer consciente, da fala amorosa e muitas outras práticas maravilhosas. E quando o fazemos, sentimo-nos estreitamente conectados, não mais sozinhos. Tornamo-nos tão grandes quanto o Corpo da Sangha.
Vamos continuar com nossa prática quando retornarmos às nossas casas, famílias e sociedade. Assim como aprendemos a viver em harmonia com a Sangha em Plum Village, assim também podemos cultivar harmonia em nossa família e em sociedade. Assim como aprendemos a compreender e a apreciar nossos amigos praticantes, podemos aprender também a compreender e apreciar nossos colegas de trabalho e nossos vizinhos. Podemos praticar a fala amorosa com estranhos num ônibus em nossa cidade, assim como fazemos com nossos irmãos e irmãs em Plum Village. A prática da plena consciência esta onde nós estamos.
(em COMO DESFRUTAR DA SUA ESTADIA EM PLUM VILLAGE - UM GUIA DAS PRÁTICAS E ATIVIDADES, COMPILADO PELOS MONGES E MONJAS DE PLUM VILLAGE)
Encerro com a orientação acima -- a prática é todo momento, a prática está em todo lugar -- as postagens sobre o Retiro de Verão para este blog, e com a delicada foto abaixo, do quarto do Thây no monastério de Son Ha, na Cabana da Pele de Sapo (que ele menciona carinhosamente em sua Uma carta para todas as minhas crianças espirituais), gostaria de começar a compartilhar o período seguinte, o dos lazy days, quando Plum Village permanece fechada e a sangha descansa ao mesmo tempo em que dá conta de arrumar a casa e preparar-se para a programação do segundo semestre, trabalhando tranquilamente
um dos bosques onde a sangha se reúne para uma pausa durante a meditação caminhando com o Thây, nos fundos do Upper Hamlet, visto em outras postagens como meditação caminhando, sempre e meditação no cotidiano -- de novo entregue ao silêncio e solitude
as chuvas de verão apontam o caminho... diz-se que na outra ponta do arco-íris, onde ele termina, há um pote de ouro... Encontrei-o em Plum Village, como mostra a foto abaixo, do arco-íris terminando no Salão de Meditação do Upper Hamlet...
o pequeno buda sobre o altar do Salão de Meditação do Upper Hamlet, e na parte de cima da foto pode-se entrever a base do Buda branco que fica do lado de fora, no altar dos jardins de Plum Village
Inspirando, sei que estou inspirando Expirando, sei que estou expirando
Inspirando, eu me vejo como uma flor Expirando, eu me sinto terno
Um ser humano deve ser terno como uma flor, porque somos flores no jardim do universo. Basta que olhemos para as belas crianças a fim de perceber isto. Os dois olhos redondos são flores. A face transparente e a carinha meiga são flores. As mãos são flores. É porque nos preocupamos demais e porque passamos muitas noites em claro que se formam nossas olheiras. Inspirando, revivemos nossa natureza de flor. A inspiração faz reviver nossa flor. O expirar nos ajuda a ter consciência de que podemos ser tão ternos, de que somos tão ternos como uma flor. É uma meditação de gentileza amorosa para conosco.
Quando toco minha cabeça com minha mão esquerda, minha mãe está tocando-me ao mesmo tempo, meu pai está tocando-me também. E todos os meus ancestrais estão tocando a minha cabeça, nesse gesto. Esse insight é um milagre, e torna-se possível com a prática. Esse é o insight sobre o interser, sobre o qual vocês já ouviram tanto, tantas vezes. Você inter-é com seu pai, sua mãe, seus filhos, seus ancestrais. Você inter-é com o Buda, com o seu mestre. Você inter-é com Jesus Cristo, com os seus ancestrais espirituais. Eles estão em você, mesmo que você esteja brigado com eles – eles continuam no seu sangue, nas suas células.
Então você olha para a sua mão, e consegue ver que o Buda está nela, porque recebeu os Cinco Treinamentos da Plena Consciência – e eles são o Buda. Os Cinco Treinamentos da Plena Consciência são o insight e a prática a respeito do amor: você está determinado a não matar, a proteger a vida, você está determinado a ofertar amor e proteção. No momento em que você se ajoelha e recebe os Cinco Treinamentos da Plena Consciência, você está recebendo o Buda em você, de maneira concreta. E a partir de então, sua mão torna-se a mão do Buda. Pois você não mata mais, a sua mão não mata mais. Você não faz mais os outros sofrerem; a sua mão não rouba mais. O Buda está na sua mão. A sua mão é a mão de Buda. Então quando você traz sua mão à sua cabeça, o Buda está tocando você – isso é muito bom...
(para ler mais desta Palestra do Dharma dada por Thich Nhat Hanh, por favor acesse aqui)
como o Salão de Meditação do Upper Hamlet está em reforma, quando ocorreram neste mosteiro, as palestras dos retiros de Primavera e de Verão foram dadas ao ar livre, sob estes pinheiros atlânticos que o próprio Thây plantou
nesta foto, uma parte da sangha monástica vestida formalmente para a transmissão dos Cinco Treinamentos da Plena Consciência, nos jardins do Upper Hamlet, como ocorreu durante os retiros de Primavera e Verão deste ano -- se desejar, leia a transcrição das Palestras do Dharma dadas por Thich Nhat Hanh (em Inglês) durante o retiro Eye of the Buddha, em Junho de 2009, que estão sendo disponibilizadas semanalmente no site oficial de Plum Village -- por favor acesse-as aqui
Os monásticos trabalham e divertem-se criando o cartaz "Um Buda só não é suficiente", que nas fotos abaixo aparece de pano de fundo para a aprensentação dos muitos e jovens Budas
Pessoalmente, desejo que o século XXI seja chamado de “século do amor”, porque necessitamos desesperadamente de amor, o tipo de amor que não produz sofrimento. Se não tivermos suficiente bondade e compaixão, não seremos capazes de sobreviver enquanto planeta. Nossos problemas no século XXI não são os mesmos que o Buda, seus amigos e discípulos encontraram durante as suas vidas. Atualmente, a meditação deve ser praticada coletivamente: na família, na cidade, na nação e na Sangha de nações.
Há um Buda que supostamente nascerá para nós chamado Maitreya ou Bondade Amorosa, o Buda do Amor: o Sr. Amor, a Sra. Amor. Uma Sangha que pratica bondade e compaixão é o Buda que precisamos para o século XXI. Cada um de nós é uma célula no corpo do Buda do Amor. Cada célula tem seu próprio papel a cumprir e não podemos nos dar ao luxo de perder nenhuma de nossas células. Temos que permanecer juntos. Temos o poder de trazer Sanghakaya, o corpo da Sangha, e o Buda Maitreya à existência pelo simples ato de sentarmos juntos e praticarmos profundamente.
Portanto, o próximo Buda pode não assumir a forma de um indivíduo. No século XXI a Sangha pode ser o corpo do Buda. Temos o poder de trazer o próximo Buda à existência neste século. Se sentarmos juntos e praticarmos o olhar profundo, podemos trazer o Sanghakaya e o Buda à existência. Todos nós temos o dever de trazer esse Buda à existência, e não apenas por nosso próprio bem, mas pelo bem de nossos filhos e do planeta Terra. Isto não é auto-enganação ou excesso de otimismo; isto é uma real determinação.
Thich Nhat Hanh em Eu Busco Refúgio na Sangha – Um caminho espiritual
uma das grandes alegrias de trabalhar durante o Retiro de Verão e colaborar com seu funcionamento, é poder assistir as crianças desfrutando em segurança e liberdade, como raramente podem desfrutar de qualquer outro ambiente, enquanto através de brincadeiras aprendem a cultivar a plena consciência... Se desejar ver mais fotos das sangha mirim de Plum Village e sua vital participação, por favor acesse a postagem todos os tamanhos, todas as idades
Acendendo esta vela oferecendo luz aos inúmeros Budas, a paz e a alegria que sinto iluminem a face da Terra
(foto da sangha internacional de Plum Village, quando em 2009 foram mais de 50 países, acendendo lanternas de papel para um dos festivais do Retiro de Verão)
Muitos de nossos jovens estão sem raízes. Eles não acreditam mais nas tradições de seus pais e avós, e não encontraram nada que possa substituí-las. Os líderes espirituais precisam abordar essa questão bastante real, mas a maioria simplesmente não sabe o que fazer. Eles não foram capazes de transmitir os mais profundos valores de suas tradições, talvez por não as terem compreendido ou experimentado completamente. Quando um religioso não personifica os valores vivos de uma tradição, não é capaz de transmiti-los à geração seguinte. Quando os valores vivos estão ausentes, os rituais e os dogmas são inertes, rígidos e até opressivos. Se combinarmos isso com a falta de entendimento das verdadeiras necessidades das pessoas e uma ausência generalizada de tolerância, não poderemos ficar surpresos com o fato de os jovens se sentirem alienados dentro dessas instituições.
Precisamos de raízes para sermos capazes de ficar eretos e fortes. Quando os jovens vêm para Plum Village, eu sempre os estimulo a praticar de uma maneira que os ajude a voltar às suas tradições e reimplementar suas raízes. Se eles conseguirem se reintegrar, tornar-se-ão um importante instrumento de transformação e renovação da sua tradição. Após um retiro para membros de diversas religiões realizado em Santa Barbara, um jovem me disse: “Thây, sinto-me mais judeu do que nunca. Vou dizer ao meu rabino que um monge budista me inspirou a voltar para ele.” Pessoas de outras tradições afirmaram a mesma coisa.
Thich Nhat Hanh em Vivendo Buda, vivendo Cristo
Aqui estão algumas fotos do Retiro de Jovens que ocorreu durante o mês de Agosto de 2009 no monastério do Lower Hamlet (cujo Salão de meditação aparece na foto acima, durante um painel sobre Os Cinco Treinamentos da Plena Consciência).
Nos tempos do blog paraserzen recebia algumas perguntas sobre os retiros para jovens e adolescentes em Plum Village -- esta é uma oportunidade de compartilhar algumas dos fotos e práticas do retiro de 2009
orientação sobre a melhor maneira de sentar-se em postura meditativa dada pelas irmãs monásticas do Lower Hamlet
orientação dada pelo querido, brilhante Pháp Huu, que se auto-intitula o mini-monge, mas que é já professor do Dharma e assistente pessoal do Thây, além de algumas vezes ser o abade em exercício do Upper Hamlet.
Ele contou-me que, certa vez, cuidando do mestre como há muitos anos vem fazendo, Thây disse-lhe: -- Tenho certeza de que você é um assistente tão bom quanto Ananda o foi para o Buda...
Pháp Huu acolheu o elogio, e brincou: -- Querido Thây, só que eu não tenho a memória de Ananda...
Thây riu e retrucou: -- Tudo bem. Hoje em dia nós temos os mp3.
O Salão auxiliar do Lower Hamlet -- um pequeno Buda no altar, e o outro Buda lá fora, em pleno jardim (visto através da janela) --, durante uma sessão de Relaxamento Profundo oferecida aos participantes do Retiro de Jovens -- esta prática está descrita no apêndice D do livro Aprendendo a Lidar com a Raiva- Caminhos para a Paz Interior, de Thich Nhat Hanh
palestra sobre O Amor Verdadeiro no Salão da Transformação do Upper Hamlet, com um dos inconfundíveis Budas pink de Plum Village, dada por Thây Pháp Son, abade do monastério de Son Ha, e por Thây Pháp Duê, atual webmaster do renovado e belo site oficial de Plum Village, que você pode conferir acessando http://plumvillage.org
para ver mais fotos do Retiro de Jovens, que em 2009 reuniu mais de 120 participantes, por favor acesse aqui
os participantes do Retiro de Jovens descem ao longo dos bosques de pinheiros do Upper Hamlet em direção ao mosteiro de Son Ha, com a visão sempre bela e inspiradora da cidadela de Puyguilhem na colina ao fundo
há muitas atividades físicas e ao ar livre durante o Retiro de Jovens, como esta caminhada que percorreu os bosques e as vinícolas que cercam Plum Village
um jogo de futebol com equipes multinacionais que não competiram entre si, mas colaboraram na diversão e na alegria
esta é uma brincadeira com bambus bastante comum no Vietnã, e a preferida das jovens irmãs monásticas, que vêm de lá para praticar nos monastérios da França
na foto acima durante um jogo de frisbee, Thây Pháp Huu, o mini-monge mencionado por Thây em Uma carta para todas as minhas crianças espirituais, a quem eu considero como uma das muitas felizes e capabilíssimas continuações do Thây
ping pong é um dos esportes prediletos em Plum Village -- e como praticado por estes jovens, que vão rodando ao redor da mesa e rebatendo a bola, quando o chamamos de ping pong em plena consciência -- torna-se muito mais um jogo de colaboração do que de competição
música, sempre muita e boa música em Plum Village
os participantes do Retiro dividem-se pelos jardins em pequenos grupos de Compartilhar o Dharma, como este, orientado pelo jovem noviço francês, o muito querido Pháp Thé
Diz-se que encontrar um verdadeiro mestre é a mesma coisa que estudar seus ensinamentos durante um século, porque presenciamos nessa pessoa um exemplo vivo da iluminação. Como podemos encontrar Jesus ou o Buda? Tudo depende de nós. Muitos dos que olharam diretamente nos olhos do Buda ou de Jesus não foram capazes de enxergá-los. Certo homem estava com tanta pressa de ver o Buda que não deu atenção a uma mulher terrivelmente necessitada que encontrou no caminho. Ao chegar ao mosteiro do Buda, não conseguiu vê-lo. O fato de vermos ou não o Buda depende do estado do nosso ser.
A prática da meditação andando abre-nos os olhos para as maravilhas e sofrimentos do universo. Se não estivermos conscientes do que acontece ao nosso redor, onde esperamos encontrar a realidade absoluta?
Todo caminho pode servir para a meditação andando, desde alamedas e trilhas dentro de aromáticos campos de arroz, até becos sujos de Mostar e as estradas cheias de minas do Cambodja. Quando você está desperto, não hesitará diante de nenhum caminho.
Você sofrerá, não por causa de suas próprias preocupações e temores, mas por causa de seu amor por todos os seres. Quando você se abre dessa maneira, os seus companheiros serão outros seres no caminho do despertar e partilharão de seu modo de ver. Trabalharão com você, lado a lado, para aliviar o sofrimento do mundo.
Thich Nhat Hanh em Meditação andando
nesta e nas fotos abaixo, Thich Nhat Hanh e a sangha monástica de Plum Village na meditação caminhando que dá início ao almoço formal, no qual toda a comunidade se reúne para partilhar o alimento em silêncio -- se desejar, veja e leia mais sobre esta prática clicando aqui.
Quando o bebê Buda nasceu, ele deu sete passos e, sob cada passo, apareceu uma flor de lótus. Quando você pratica a meditação andando, pode fazer o mesmo. Visualize um lótus, uma tulipa ou uma gardênia florescendo debaixo de cada passo no instante em que seu pé toca o chão. Se você praticar dessa maneira bela, seus amigos verão campos de flores em toda a parte por onde você andar.
Thich Nhat Hanh em Meditação andando
cada passo é a prática, caminhar pode ser sempre em meditação -- como aqui, Pháp Y cruzando o jardim do Upper Hamlet a caminho da residência monástica
a sangha em meditação caminhando pelas estradas da região de Plum Village (distante uma hora de trem de Bordeaux), na linda área rural do interior da França, com seus campos de ondulação suave cobertos com videiras e bosques
um dos belos caminhos de meditação percorridos pela sangha -- a estrada que leva do Upper Hamlet ao Lower Hamlet (dois dos monastérios que compõe Plum Village), ao longo da qual durante o verão florescem exuberantes os girassóis e as cerejas
os irmãos monásticos deixam o Upper Hamlet a caminho do Lower Hamlet, a paz a cada passo, há paz a cada passo...
nesta e na foto abaixo, meditação caminhando pelos bosques do Lower Hamlet
nesta e na foto abaixo, a sangha se reúne no bosque atrás do Upper Hamlet para a pausa em que fazemos meditação sentada sobre a grama, na companhia do Thây... é um momento de muita paz e grande beleza, os corações irmanados à Natureza benfajeza... observe a linda luz e a paz que consegue comunicar a foto abaixo, do meu amigo e irmão Richard Friday
Thây durante a pausa na meditação caminhando do Retiro de Verão, cercado pela sangha mirim de Plum Village
a sangha flui como um rio, em harmonia, descendo na direção do monastério de Son Ha, cujos telhados se entrevê, com a aldeia de Puyguilhem encimando a colina ao fundo
Eu cheguei, estou em casa -- a cada momento, chega-se em casa, no momento presente
meditação caminhando por todo lado, a caminho do quarto, a caminho do banheiro, na fila para pegar a comida... Depende de nós, caminharmos distraidamente, ou caminharmos em meditação -- e assim vivermos, desfrutando da vida, ou só passarmos por ela, sem bem prestar atenção...
Desfrute dos seus passos... Esta plaquinha improvisada fica no início da escada (foto seguinte) que sobe ao quarto chamado de Lynden Tree. Como nos recorda o Thây, "você pode praticar a meditação andando nos intervalos de reuniões, a caminho de seu carro, para cima e para baixo de escadas. Tome o tempo necessário para praticar; dê a você mesmo esse tempo."
esta é a escada para o quarto dormitório do Upper Hamlet, chamado de Lynden Tree, com doze camas, seus degraus subindo ao céu, que vão dar numa porta envidraçada e um patamar na altura da copa das árvores, voltado para o lado do nascente...
mesmo com chuva, a sangha de Plum Village -- refletida no lago de lótus invernal do Upper Hamlet, onde já se enxerga as flores que irão manifestar-se quando as condições forem suficientes -- pratica unida a meditação caminhando liderada por Thây, que aparece no canto direito da foto... para ver e desfrutar deste lago durante as quatro estações, por favor clique aqui.
um caminho quase secreto -- e menos agora, que o compartilho --, a trilha de meditação caminhando mostrada a mim pelo querido irmão Garry da Austrália, onde ele ia assistir o sol nascer entre as árvores, como na foto acima...
eu ia por esta trilha (vista também na foto abaixo), a paz a cada passo, para ir para o trabalho, para as refeições, para o banheiro, e para retornar à tenda na qual acampei durante todo o Retiro de Verão de 2008. A trilha parte não longe da cozinha e segue até a outra extremidade do Upper Hamlet, onde estive acampado numa borda da colina, dentro do bosque próximo à residência monástica, com minha barraca voltada para o nascente, o sol acordando-me durante as manhãs, o vento marulhando como o mar e arrepiando minha pele... Dias abençoados.
Aqui é a Terra pura, a Terra pura é aqui -- cantamos em Plum Village. Na meditação caminhando, beijamos a superfície da Terra a cada passo, flores de paz e alegria desabrocham sob cada um de nossos passos, e assim vamos criando um jardim de amor e compreensão para outros atravessarem, a paz a cada passo, há paz a cada passo -- e o Céu, o nirvana, o Reino de Deus, como nos ensina o Thây, é aqui mesmo, para todos nós, e não só para as irmãs que percorrem esta estrada rumo ao céu... em Plum Village.
Paz é todo passo. O sol vermelho e brilhante é meu coração. Toda flor sorri comigo. Como é verde e fresco tudo que cresce. Como é frio o vento que sopra. Paz é todo passo. Transformando em alegria o caminho interminável.
Cada um de nós precisa “pertencer” a um lugar, como um centro de retiro ou um mosteiro, onde cada característica da paisagem, o som do sino e até mesmo os prédios tem o propósito de nos lembrar que devemos retornar à consciência. É proveitoso irmos a esse local de vez em quando, durante vários dias ou semanas, para nos renovarmos. Mesmo se não pudermos ir fisicamente ao local, basta pensarmos nele para sentir que estamos sorrindo e ficaremos em paz e felizes.
As pessoas que vivem lá devem emanar paz e jovialidade, os frutos da vida consciente. Elas precisam estar sempre presentes para cuidar de nós, nos consolar e dar apoio, nos ajudar a curar nossas feridas. Cada um de nós precisa encontrar um lar espiritual onde possamos nos recolher de tempos em tempos, da mesma forma como corremos para nossa mãe em busca de abrigo quando somos crianças.
Thich Nhat Hanh em O Sol meu coração
ouvir bem para melhor compreender
olhar bem para amar melhor
esculpidos na madeira, estes dizeres com a característica caligrafia do Thich Nhat Hanh encontram-se no jardim de Plum Village -- e há muitos outros, espalhados por todos os cantos, lembrando-nos da prática da plena consciência no cotidiano, em todas as atividades, em nossas relações com as outras pessoas e com nós mesmos...
junto ao lago de lótus do Upper Hamlet, que durante o verão fica repleto de flores, o belo Aaron dos EUA (de cuja autoria são muitas as fotos deste blog) e o monge a quem chamava de meu "Buda pessoal", o querido e iluminado Pháp Thûyen, do Vietnã. Ao fundo, vê-se o jardim transformado numa cidade de tendas, quando praticantes de todo o mundo -- agora em 2009 foram mais de 50 países -- vêm praticar e desfrutar das palavras do Thây, da convivência com a sangha e do bom tempo e bela paisagem -- humana e geográfica... Em Plum Village, as pessoas desabrocham como flores.
na cidade de tendas que toma Plum Village durante o Retiro de Verão, os praticantes mirins também realizam suas próprias meditações do chá ao ar livre...
...ou desfrutam do playground junto aos bosques -- uma das coisas mais lindas do Retiro de Verão, quando comparecem famílias inteiras a Plum Village, é poder observar as crianças sentindo-se livres e seguras, correndo por todos os lados, podendo contar com a assistência e orientação de todos os adultos, e nutrindo com alegria e sinceridade a prática de toda a sangha... (você pode ler mais na postagem todo os tamanhos, todas as idades)
às vezes, a paisagem se parece um pouco com a de um clube, pois não há nenhum código claro de vestimenta ou comportamento, e algumas pessoas demoram a se compor e se adequar à atmosfera de um mosteiro e à convivência com os monásticos e praticantes de longo prazo, que praticam silenciosa e discretamente em meio à multidão alegre e às vezes ruidosa, que aos poucos vai se dando conta da prática da plena consciência sem que nada lhe seja imposto
um amigo, que assim como eu esteve pela primeira vez em Plum Village para o retiro "The Breath of the Buddha", e de novo durante o Retiro de Verão de 2008, meditando à margem do lago de lótus, com a colorida cidade de tendas ao fundo... Para uma multitude de lótus lindos, há uma multidão de pessoas maravilhosas em Plum Village
durante um dia de cada semana temos o chamado Lazy Day, o Dia da Preguiça, quando não há programação formal, e cada pessoa dedica-se à sua própria prática.
O Lazy Day é um dia em aberto, durante o qual estamos verdadeiramente em contato com o dia e não tentamos criar uma agenda de atividades. Deixamos que o dia se desenrole naturalmente, sem horários. É um dia para praticarmos como quisermos. Podemos fazer meditação caminhando sozinhos ou com um amigo, ou meditação sentada no bosque. Podemos ler um pouco ou escrever à nossa familia ou para um amigo.
Este pode ser um dia em que olhamos com mais cuidado para nossa própria prática, e para nossos relacionamentos com as outras pessoas. Pode ser a ocasião de aprendermos muito sobre como estivemos praticando. Talvez reconhecamos o que podemos fazer, ou evitar de fazer, para trazer mais harmonia a nossa prática. Algumas vezes esforçamo-nos demasiado na prática, e isso pode estar criando tensão para nós mesmos e para as pessoas ao nosso redor. Neste dia em aberto, temos a chance de nos reequilibrarmos. Talvez percebamos que tudo o que necessitamos é de um bom descanso, ou então ser mais diligentes com a prática. O Dia em Aberto é um presente que damos a nós mesmos e à Sangha, de acordo com nosso próprio tempo, ritmo e necessidade de espaço. É um dia tranquilo para todos.
(de COMO DESFRUTAR DA SUA ESTADIA EM PLUM VILLAGE - UM GUIA DAS PRÁTICAS E ATIVIDADES, COMPILADO PELOS MONGES E MONJAS DE PLUM VILLAGE)
desfrutando do milagre do sol, do milagre da água, de tantos momentos maravilhosos disponíveis no cotidiano, meu amigo e colega de quarto Steve, o Soup, aproveita para lavar suas roupas ao ar livre, nos bonitos dias de bom tempo com os quais o verão no campo francês costuma nos presentear...
uma irmã recolhe suas roupas e pratica meditação caminhando ao longo do varal repleto
o irmão cuida da horta orgânica com suas hortaliças realmente belas e vigorosas, e mais do que simplesmente regá-las, ele as está aguando com plena consciência, fazendo do seu trabalho uma meditação, uma ocasião de desfrutar do estar vivo e agradecer... aqui e agora, aqui e agora mesmo -- diante desta foto, diante desta tela, diante destas palavras, consciente da sua própria visão, dos seus olhos, da sua inteligência, consciente da sua consciência -- a prática se faz a cada aqui e agora, aqui e agora... você está praticando, a-q-u-i-e-a-g-o-r-a, ou está assim só distraído vendo umas fotinhos e lendo qualquer coisa para se distrair?
o resultado do amor e pureza com que se trabalha em Plum Village, cultivando hortaliças como se cultiva a paz e a alegria, vê-se nestas alfaces maravilhosas e nos sorrisos dos noviços Phap Man (ao centro) e Phap Lien (à direita) e da noviça Trieu Nghiem
no Lazy Day, pode-se desfrutar dos belos jardins de Plum Village com calma -- uma das minhas presenças preferidas é este belo arbusto de malva, as flores como borboletas, as pétalas como asas rosadas, junto ao Bamboo building do Upper Hamlet
há muitos e belos recantos também para se ler, sombreados, frescos, perfumados... E ao redor, a doadora exuberância pacificadora da natureza, quando se a enxerga com olhos de plena consciência
há muito espaço de jardins e bosques para praticar exercícios leves e em plena consciência, como este com os bastões, do qual há sessões diárias orientadas pelos monásticos...
...ou então praticar a escuta atenta e a fala amorosa e compartilhar com um amigo, como aqui o meu querido Phap Banh, o noviço da Itália, e a delicada, doce Maria Grazia
uma visita ao lago de lótus -- este o do New Hamlet -- é também uma boa chance de contemplação da impermanência
há alguns lugares favoritos de toda a sangha, como este campo e bosque ao sopé do Upper Hamlet, logo abaixo da residência dos monásticos, onde muitas vezes fazemos uma pausa com Thây durante o percurso da meditação caminhando -- o que se enxerga dali, que faz o coração dilatar-se, é a vista ampla e lindíssima da foto abaixo...
a linda cidadela e igreja de Puyguilhem no topo da colina, a uma pequena caminhada do Upper Hamlet, e de onde se contempla um poente deslumbrante... Uma das coisas mais lindas das noites de verão em Plum Village é vir sentar-se no campo da foto acima e observar a lua cheia nascer por detrás desta colina e da cidadela...
Aaron, dos EUA, medita com vista para os arredores da paisagem campestre francesa, de campos cultivados e charmosos povoados, e abaixo os extensos bosques de pinheiros que há entre o Upper Hamlet e o monastério de Son Ha...
um recanto do bosque de pinheiros junto a Son Ha, que durante o Retiro de Verão transforma-se num bairro de barracas, já que apesar de muitos quartos, não há hospedagem suficiente para todos os praticantes que vêm a Plum Village, e muitos se dispõem a desfrutar do bom tempo vivendo ao ar livre -- eu mesmo tive esta experiência maravilhosa, acordando com o nascer do sol iluminando o meu rosto e tendo de noite a lua para iluminar o meu caminho...
em meio às flores e perfumes dos jardins abençoados de Plum Village, um programa para os Lazy Days é sentar-se para conversar com o belo Buda branco -- ao invés do intelecto e dos altares, em Plum Village o Buda frequenta o jardim e o coração dos praticantes...
Para mim, um centro de meditação é onde você retorna para você mesmo, onde obtém um entendimento claro da realidade, onde ganha mais força, compreensão e amor; onde você se prepara para reentrar na sociedade. Se não é assim, não é um centro de meditação. Desenvolvendo um real entendimento, podemos reentrar na sociedade e fazer uma real contribuição.
Temos muitos compartimentos em nossa vida. Quando praticamos meditação sentada e quando não a praticamos, temos dois períodos de tempo que são muito diferentes entre si. Quando sentamos praticamos intensamente; quando não sentamos não praticamos intensamente. Há uma parede que separa ambos: prática e não-prática. Prática é só para os períodos de praticar, e não-prática só para os períodos de não-praticar.
Como podemos misturar, juntar os dois? Como podemos trazer a meditação para fora da sala de meditação, para dentro da cozinha ou do escritório? Como pode o sentar influenciar o tempo de não-sentar? Se um médico lhe aplica uma injeção, não é só o seu braço que será beneficiado, mas todo o seu corpo. Se você pratica uma hora de meditação por dia, essa hora será para as 24 horas inteiras, e não só para aquela. Um sorriso, uma respiração deverão beneficiar o dia inteiro e não só aquele momento. Precisamos praticar de uma forma que remova a barreira entre prática e não-prática.
Quando andamos na sala de meditação, pisamos devagar, com cuidado. Mas quando vamos ao aeroporto, somos outra pessoa. Caminhamos de outro modo, com a mente menos desperta. Como podemos praticar no aeroporto e no mercado? Isso é budismo engajado. Budismo engajado não quer dizer apenas usar budismo para resolver problemas sociais e políticos, protestar contra as bombas, contra as injustiças sociais. Antes de tudo temos que trazer o budismo para a nossa vida diária.
Thich Nhat Hanh em Caminhos para a Paz Interior
se desejar, assista abaixo um lindo slideshow de fotos do Retiro de Verão de 2008 em Plum Village, França, a maior parte delas mostrando o Upper Hamlet, seus jardins e arredores, seus participantes e sua prática, por SamyasaSwi.